Exposição revela olhares de turistas sobre Viseu desde a Monarquia ao Estado Novo

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Promovida pela Câmara Municipal no âmbito do festival MESCLA, está patente no Museu Almeida Moreira ao longo dos próximos três meses, período em que a cidade recebe mais visitantes nacionais e estrangeiros, a exposição, inédita, «Viseu pelas Bocas do Mundo». Mostra a cidade de Viseu através do olhar de viajantes estrangeiros, autores e editores de guias e livros de viagem publicados entre 1820 e 1974 – entre a Monarquia Constitucional e o Estado Novo -, com particular ênfase para as suas gentes, costumes, história e património, e surge na sequência de um desafio lançado pelo pelouro da Cultura aos investigadores Vasco Ribeiro, Elisa Cerveira e Emília Dias da Costa, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Assente num corpus de mais de 600 obras de várias línguas, reunidas a partir de uma coleção particular, a exposição (patente até 6 de outubro) revela, através de frases e imagens, as impressões dos viajantes estrangeiros que, ao visitarem Portugal, não ficaram indiferentes à beleza de Viseu, das suas gentes, e da região da Beira Alta. “Estamos perante uma abordagem que nunca foi feita. E que é interessante de ver numa fase em que a aposta do Município é oferecer motivos de qualidade a quem nos visita”, reconhece o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques.

Os curadores da exposição, Vasco Ribeiro, Elisa Cerveira e Emília Dias da Costa, juntaram cerca de 800, entre os mais de 1.000 livros, que fazem referências à cidade e região da Beira Alta, e às suas gentes, nos séculos XIX e XX. “As referências a Viseu começam a surgir no final do século XIX, numa época em que as entradas em Portugal eram marítimas e o percurso turístico terminava muitas vezes no Buçaco. Mas foi no início do século XX, quando chegaram as ligações ferroviárias, que começaram a aparecer referências bem mais frequentes. Algumas a classificarem esta região como um recanto da Suíça, face à proximidade da Serra da Estrela”, revela Vasco Ribeiro.

As acessibilidades rodoviárias (ou a falta delas) mostram também o lado menos positivo nas impressões dos visitantes. Mas é a partir do Estado Novo que a citação a Viseu nos livros de viagem se tornou “praticamente omnipresente”, confirma Vasco Ribeiro.

A quantidade de referências feitas então a Viseu passou a ser de tal ordem, que levou os curadores a organizar a exposição por módulos. Uma “surpresa” que, segundo Emília Dias da Costa, levou à separação das referências sobre a história, das referências feitas aos monumentos, estas com um núcleo sobre Grão Vasco que “atraía muitos estrangeiros a Viseu”. Para além das artes e dos ofícios, e da Feira de S. Mateus, esta a surgir nos relatos como “secular e a maior do país”. E o facto das referências serem exclusivamente de estrangeiros torna-as mais interessantes, por terem sido colhidas por visitantes com outras culturas, experiências e vivências”, conclui Elisa Cerveira.

Jorge Sobrado, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Viseu sublinha mais este importante subsídio para a história de Viseu e da região. “São 150 anos de história, o que não deixa de constituir um repto extraordinário para os viseenses, e um repto para quem nos visitar ao longo dos próximos três meses”, assegura o autarca.