Categoria: Opinião

  • Salvar empregos, a prioridade!

    Salvar empregos, a prioridade!

    Por: Gonçalo Ginestal

    A Pandemia provocada em todo o mundo pela COVID-19 veio colocar enormes desafios aos Estados que se depararam, pela primeira vez, com um inimigo invisível e pôr a nu as grandes fragilidades de alguns sistemas políticos, sociais e económicos. Portugal tem sido apontado como um bom exemplo em matéria de resposta a esta crise que a todos afetou. As medidas de confinamento estão a dar resultado e é necessário agora preparar o regresso à normalidade possível.

    Na área do Emprego e da Formação Profissional foram inúmeras as respostas imediatas de apoio às pessoas e às empresas com um único objetivo, preservar o emprego. Desde logoo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) criou uma medida essencial para este período que estamos a viver que foi o Apoio ao Reforço de Emergência de Equipamentos Sociais e de Saúde- MAREESS. Trata-se de uma iniciativa, temporária e excecional, que consiste no apoio à realização de trabalho socialmente necessário, para assegurar a capacidade de resposta das instituições públicas e do setor solidário com atividade na área social e da saúde, durante a pandemia da doença COVID-19. Neste momento já centenas de instituições, bem como milhares de voluntários, formalizaram as suas candidaturas, estando já nas instituições a prestarem um auxílio fundamental para poder responder eficazmente a esta emergência nacional. A iniciativa tem como objetivos contribuir para assegurar a capacidade de resposta das instituições públicas e do setor solidário com atividade na área social e da saúde, nomeadamente serviços de saúde, hospitais, lares ou estruturas residenciais para pessoas idosas e pessoas com deficiência e incapacidade, promovendo a empregabilidade de utentes em situação de desemprego e possibilitando uma melhoria dos rendimentos dos desempregados ou dos trabalhadores com contrato de trabalho suspenso, horário reduzido ou com contrato de trabalho a tempo parcial. Os destinatários desta medida têm direito a uma bolsa mensal, nos seguintes termos:para os desempregados subsidiados, uma bolsa mensal complementar de montante correspondente ao valor Indexante dos Apoios Sociais (IAS) (€438,81); para os restantes desempregados ou trabalhadores, uma bolsa mensal de montante correspondente ao valor de 1,5 vezes o valor do IAS (€ 658,22); alimentação, referente a cada dia de atividade; despesas de transporte até ao valor de 10% do IAS (€43,88), mediante comprovativo da despesa; seguro que cubra os riscos que possam ocorrer durante e por causa do exercício das atividades integradas no projeto e equipamento de proteção individual adequado à realização da atividade prevista no âmbito do projeto.Acresce, ainda a majoraçãodas bolsas mensais dos Contrato Emprego-Inserção (CEI) e Contrato Emprego-Inserção+ (CEI+), previsto na Portaria n.º 82-C/2020, de 31 de março, aplicável em projetos na área de cuidados de saúde ou de apoio social.

    Por outro lado,foi criado oincentivo financeiro extraordinário para apoio à normalização da atividade da empresa, no âmbito das medidas de apoio de caráter excecional e temporário destinadas aos trabalhadores e empregadores afetados pela pandemia da COVID-19. Este apoio corresponde à retribuição mínima mensal garantida de 635 euros, multiplicada pelo número de trabalhadores ao serviço do empregador e é pago de uma só vez.

    Para além disso existe um apoio extraordinário à manutenção de contratos de trabalho em situação de crise empresarial -que se traduz em Formação profissionalpara as empresas que pretendam desenvolver um Plano de Formação para os seus trabalhadores.Os valores desta Bolsa de formação correspondem a 30% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS=€ 438,81) a atribuir, em partes iguais, ao trabalhador e à entidade empregadora, e também num apoio à alimentação – de montante igual ao atribuído aos trabalhadores com vínculo de trabalho em funções públicas, nos dias em que a frequência da formação seja igual ou superior a três horas.

    Em paralelo está ainda a ser posto em prática um plano extraordinário de formação proposto pela entidade empregadora para os seus trabalhadores, a decorrer a tempo parcial, desde que a entidade não beneficie da Medida de Apoio extraordinário à manutenção de contratos de trabalho em situação de crise empresarial. Nesta situação, é concedido um apoio financeiro por trabalhador que frequente a formação, até ao limite de 50% da sua retribuição normal mensal ilíquida, não podendo este montante ultrapassar o valor da Remuneração Mínima Mensal Garantida (RMMG), ou seja, 635 € (seiscentos e trinta e cinco euros).

    O IEFP vai reiniciar dentro em breve o seu plano de formação profissional à distância reforçando o seu papel de entidade de referência em termos de formação profissional, dada a sua capilaridade territorial e a excelência de todos os seus profissionais. A qualificação é essencial para que os utentes tenham acesso ao mercado de trabalho rapidamente e com melhores condições laborais e salariais.

  • Não quero maçar-vos!…

    Não quero maçar-vos!…

     

    Folha em branco e não quero escrever.

    Que tempos estes que vivemos. Não existem assuntos para refletir. Existe O assunto! Este que tanto preocupa e irrita. Como é possível termos chegado a este ponto?!

    Só tenho perguntas. Não tenho respostas. Não consigo expressar-me.

    Não quero deixar-me consumir pela raiva. Quero acreditar que estamos todos juntos. Que o silêncio ensurdecedor está para acabar.

    “Os segredos do Mundo escondem-se dentro do silêncio”
    Erling Kagge, Silêncio na era do ruído

    Agora é apelar, mais do que nunca, à união. À responsabilidade de cada um de nós. Este é tempo de combater um vírus que mata. E nada é mais importante do que a vida.

    Aos profissionais de saúde, toda a gratidão e uma palavra de reconhecimento pela dedicação à causa pública. Que exemplo. Que excelente exemplo, estes homens e mulheres têm dado. A todos os que diariamente trabalham para que possamos continuar a nossa vida, em quarentena ou recolhimento, com comida na mesa, o meu obrigado.

    Aos familiares das vítimas desta epidemia, os meus sentimentos. A todos que estão na luta para “expulsarem essa coisa” do corpo, muita força e coragem.

    Espero que, na próxima crónica, já tenhamos saído do recolhimento e aí possa partilhar convosco o que gostava de ver e não vejo. O que vejo e não gostava de ver.

    Por agora não quero mais maçar-vos. É que só tenho perguntas. Não tenho respostas. Não consigo expressar-me. Já vos tinha dito? Talvez. Mas estas horas e estes dias são assim: repetitivos.

    Protejam-se. Fiquem em casa.

    Boa sorte. Vai ficar tudo bem.

    Vítor Santos

  • O que estão a fazer à Sé de Viseu?

    O que estão a fazer à Sé de Viseu?

    A Sé Catedral de Viseu é, a par com a Cava de Viriato e o Museu Grão Vasco (antigo Paço dos Três Escalões), o monumento nacional mais importante da nossa cidade. Iniciada em finais do século XIII, no reinado de D. Dinis, sofreu derrocadas de uma torre e do frontispício no séculos XVII e no seguinte beneficiou de reformas (claustro alto, elevação dos arcos das capelas colaterais apensos à capela-mor, um novo retábulo-mor e retábulos colaterais). Ao bispo humanista e mecenas das artes, D. Miguel da Silva, se deve o claustro renascentista.  O exterior românico, fortificado (inicialmente encostado ao castelo) contrasta com o elegante interior gótico.

    Os viseenses foram surpreendidos há poucos dias com o início da construção de uma cobertura da abóbada, em tijolo e cimento, visível das traseiras da Sé, no Largo de São Teotónio, um dos espaços mais encantadores de Viseu, graças ao aspecto de fortificação da Sé, com o contraforte escalonado na parede do absidíolo do lado norte, e à varanda e janelas que lhe emprestam um ar de torre de menagem.

    Em 1996 a Sé beneficiou de obras de preservação (conservação,  restauro e manutenção) a cargo da Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, que passaram pela substituição de madeiras atacadas por fungos de podridão húmida, no forro do tecto, devido a repasses do tubo de drenagem de águas pluviais. A manutenção era um dos pressupostos da proposta de intervenção. Estranha-se, assim, que estejam a ser utilizadas técnicas de construção não tradicionais, com aplicação de tijolo e cimento. A volumetria da cobertura existente, a avaliar pela fotografia a preto e branco tirada antes da abertura da Avenida Capitão Silva Pereira (ver foto de duas páginas na Revista Monumentos nº 13, da DGEMN) não era tão agressiva visualmente (talvez não se visse mesmo do Largo São Teotónio),  como a que agora começa a espreitar das ameias. Sabe-se que nos anos trinta do século passado foram substituídas as estruturas de cobertura em madeira por betão armado, e nos anos 70, 8º e 90, as últimas estruturas de madeira foram substituídas por pré-esforçado, considerado na altura incombustível o que talvez tenha comprometido, agora, melhores soluções.

    No entanto, apesar do aval da Direcção Regional de Cultura do Centro, que justifica a intervenção com a urgência em proteger a abóbada de granito das infiltrações de água, não podemos de deixar de ficar chocados com a construção que espreita do alto das ameias.  Ao comum dos viseenses, muitas vezes confrontados com exigências da SRU, consideradas fundamentalistas, em obras de reabilitação no centro histórico,  afigura-se como um mau exemplo. Se em vez de uma cobertura de duas águas fosse de três águas com alçado em telha, talvez não chocasse tanto visualmente. Talvez depois da obra concluída, surja mais bem integrada no monumento.

    Confiemos nos técnicos, mas fiquemos todos atentos.

    Carlos Vieira e Castro

  • Mercado 2 de Maio uma praça a arder de gente

    Mercado 2 de Maio uma praça a arder de gente

    A transferência do Mercado Municipal foi um erro que hoje todos reconhecem, utentes, vendedores e comerciantes da Rua Formosa e da Rua do Comércio. O próprio centro histórico se ressentiu. Tem-se atribuído a culpa do insucesso da nova praça ao projecto de Siza Vieira, mas, na realidade, a culpa foi do dono da obra, o presidente da autarquia, que não disse ao arquitecto o que é que queria fazer da praça. Siza fez uma escultura arquitectónica, sem funcionalidade, mas bonita.   Parece uma miniatura do jardim das laranjeiras da Mesquita de Córdoba, só que as magnólias não cresceram o suficiente, nem crescerão se continuarem a não as regar. Um autarca mais avisado, teria entregue a obra a um arquitecto local, que talvez tivesse o bom senso de deixar ficar os telheiros das bancadas, substituindo estas por bancos de jardim, por exemplo.  Já o projecto adiantado por Almeida Henriques de implantar uma cobertura, não sei se será boa ideia, precisamente por causa das magnólias. A ver vamos…

    Fernando Ruas nem sequer ouviu os comerciantes da Rua do Comércio e da Rua Formosa que alertaram atempadamente  para a falta de funcionalidade das lojas viradas para o interior da Praça, mas sem espaço para ter portas abertas para os dois lados, a praça e a rua.

    Agora, o novo executivo repescou algumas ideias avançadas pela Associação dos Comerciantes e por partidos da oposição, para revitalizar o Mercado 2 de Maio. Luís Mouga Lopes, eleito pelo BE, propôs na Assembleia de Freguesia de Viseu uma Feira de Trocas que foi aprovada e levada a cabo por um grupo de trabalho alargado, no passado sábado, dia 10. Os cerca de 80 inscritos e a afluência de interessados em comprar e trocar fez do evento um sucesso, que terá repetição em Julho. Mas será que Viseu não pode ter uma feira destas todos os meses? Salamanca, por exemplo, tem um “rastro”, todos os domingos, que atrai largas centenas de pessoas. Lisboa tem a “Feira da Ladra”, Porto a “Vandoma”, Paris, entre outros tem o “Marchée aux pusses”, Londres, “Porto Bello Road”, Madrid, “o rastro”.

    O evento mais propalado pela Cãmara foi a a comemoração dos 135 anos da inauguração em 1879 do Mercado 2 de Maio, assim chamado devida à entrada em Viseu, nesse dia de 1834, das tropas liberais comandadas pelo 1º duque da Terceira. Ao cortejo de encenação histórica seguiu-se a actuação do Orfeão de Viseu, da APPACDM Viseu e `por volta das 22 horas, um concerto de A Presença das Formigas”. Este grupo, prémio José Afonso com o seu anterior disco “Ciclorama”, apresentou temas do seu novo CD: “Pé de Vento”, mais uma obra prima da música portuguesa de todos os tempos e de todos os tipos, porque se na origem das temas está a tradição popular, os arranjos revelam uma sólida e vasta erudição musical.  O que não é de estranhar  já que, por exemplo, André Cardoso é professor no Conservatório Regional de Música de Viseu, tendo actuado em vários concertos  no âmbito do 7º Festival de Música da Primavera de Viseu, que decorreu de 17 de Abril a 11 de Maio.

     Associação “Olho Vivo” – Viseu

  • Que força é essa, 25 de Abril?

    Que força é essa, 25 de Abril?

    Que força é essa
    que força é essa
    que trazes nos braços
    que só te serve para obedecer
    que só te manda obedecer
    Que força é essa, amigo
    que força é essa, amigo
    que te põe de bem com outros
    e de mal contigo
    Que força é essa, amigo
    Que força é essa, amigo
    Que força é essa, amigo

    Não me digas que não me compr´endes
    quando os dias se tornam azedos
    não me digas que nunca sentiste
    uma força a crescer-te nos dedos
    e uma raiva a nascer-te nos dentes
    Não me digas que não me compr´endes

    Sim, compreendo-te ! –  gritei eu por dentro, com a peito a estalar, o olhar liquefeito  e um frémito a percorrer-me a espinha….  Eu compreendo-te, Sérgio Godinho! Ou és tu que me compreendes?… Teria eu 16 ou  17 anos, a estudar ou a ler noite fora enquanto ouvia  rádio… Os censores e os pides devem estar a dormir a esta hora! Estaria em 1971, o ano da gravação, em França, do disco “Os sobreviventes”,   ou, talvez, em  1972, quando  uma das faixas, “O Charlatão”, esteve no 10º lugar do Top Twenty dos singles mais vendidos ( três lugares à frente de “Imagine” de John Lennon),  na discoteca Esquina (o lugar de descoberta de novidades musicais  subversivas e inovadoras, em Viseu, tal como a Livraria Tempo Livre o seria para a literatura, alvo maior das apreensões da PIDE).  Na classe dos LP, logo a seguir ao “If 3”, “Meddle”  dos Pink Floyd  e “Led Zeppelin IV”, a preferência dos viseenses ia para “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”, de José Mário Branco, onde também surge “O Charlatão”, com música do Zé Mário. “No beco dos mal-fadados/ os catraios passam fome/ têm os dentes enterrados no pão que ninguém mais come/ os catraios passam fome” // Entre a rua e o país/vai o passo de um anão/ vai o rei que ninguém quis/ vai o tiro de um canhão/ e o trono é do charlatão”.

    A débil politização vinha da música de intervenção,  de alguns amigos mais velhos que contavam histórias da guerra colonial,  e das entrelinhas dos jornais e revistas que passavam na rede da censura prévia. A minha  única acção antifascista foi a distribuição “clandestina” da edição única do jornal “Paralelo 40”, feito nesse ano de  1972, na tipografia Éden Gráfico,  dos alunos da Escola Industrial e Comercial de Viseu, sem respeitar os cortes dos dois censores/”professores orientadores” , em textos com  referências à Chacina de My Lai, no Vietnam, pela tropa dos EUA, ou ao nobelizado  Bertrand Russel, por ter escrito o “Porque Não Sou Cristão?” (um dos censores era cónego).  O único acto repressivo de que posso orgulhar de ter sofrido, foi uma ameaça de expulsão por parte do director da escola, um fascistoide prepotente.

    Mais difícil foi dar a perceber ao meu pai que eu só queria estudar para aprender línguas e poder exilar-me num país qualquer onde me aceitassem como refractário da Guerra Colonial, que eu achava preferível a desertar para me juntar ao único lado justo da guerra. O meu  pai, que foi  um homem bom, não sabia, nem eu na altura, que de 1961 a 1974, 100 mil jovens portugueses saíram de Portugal para não irem para a guerra, tantos quantos os que partiram para lutar, a maioria a contragosto,  contra os povos das colónias

    O 25 de Abril furou-me os planos, felizmente. Também o Povo furou os planos de Spínola e outros militares conservadores que alinharam com o MFA, ao transformar um golpe de Estado numa revolução.  O Povo foi quem mais ordenou. Mas apenas durante o ano e meio que durou a Revolução.

    “A Paz, o pão, habitação, saúde, educação,/ só há liberdade a sério quando houver/ liberdade de pensar e de decidir/ e quando pertencer ao Povo/ o que o Povo  produzir”.  Nesta canção do Sérgio está todo o programa da Revol ução.  

    25 de Abril, sempre! Uma ova!… Ainda conseguiu abortar dois golpes dos spinolistas, mas depois do golpe de direita do 25 de Novembro, Abril foi (re)conduzido ao redil.

    O salazarismo foi a primeira e a última ditadura da Europa, no século XX.  Caiu da cadeira com estrondo, mas não sem resistência. Os fascistas reciclaram-se, viraram a casaca, formaram e aderiram a partidos democráticos, mas não deixaram de conspirar contra a democracia, violentamente durante o PREC – Processo Revolucionário em Curso, e agora escudados com a ditadura financeira da Troika.

    Em Viseu conhecemo-los bem. No princípio de Junho de 1976, uns 40 ou 50 militantes e simpatizantes dos partidos de direita, hoje do chamado “arco do poder”  (disse “poder” ? “Enganou-te, trocou-te a gramática…”), à mistura com operacionais da extrema-direita, e pelo menos um operacional do ELP, uma das organizações  implicadas na  rede bombista,   provocaram e agrediram meia dúzia de militantes da esquerda revolucionária, nomeadamente da UDP, que com mais vinte ou trinta homens e mulheres, alguns idosos,  apoiantes da candidatura de Otelo à Presidência da República, aguardavam aquele militar de Abril junto à Cava de Viriato. Eu fui com meia dúzia de camaradas ao encontro de Otelo, para o avisar da recepção fascista, mas já a caravana do candidato presidencial tinha sido atacada a tiro, perto de Castro Daire, pelo que foi decidido  não passar por Viseu, cortando pelas Termas do Carvalhal para S. Pedro do Sul em direcção a Aveiro, onde tinha um comício nessa noite.

    Face às ameaças dos fascistas, e tendo em conta que alguns tinham participado na tentativa de assalto, a tiro, à sede do PCP em Viseu, em 20 de Julho de 75,  os militantes revolucionários, com a solidariedade de outros antifascistas, decidiram defender a sede da UDP, no Solar dos Peixotos (que hoje alberga a Assembleia Municipal de Viseu). Avisou-se  a PSP e o RIV de  que iriamos defender a todo o custo a nossa sede,  responsabilizando as forças policiais e militares pelos actos violentos que viessem a ocorrer. Uma brigada fez cartazes que colou pela cidade denunciando à população as provocações da direita fascista. A mobilização popular e a operação montada pela PSP nas entradas e saídas da cidade,  deve ter dissuadido o ataque que se indiciava.

    No “Dossier Terrorismo” das edições Avante, são mencionados elementos da rede bombista do MDLP( de Spinola e Galvão) e do ELP,  com ligações ao PPD e ao CDS, responsáveis por uma dezena de mortes, incluindo militantes do PCP, sindicalistas, e o padre Maximino de Sousa (candidato pela UDP) e a estudante Maria de Lurdes Pereira. Para além de inúmeras agressões e atentados à bomba falhados, em casas e automóveis de militantes de esquerda, incluindo do MDP/CDE e até do PS.  Não esquecemos!

    O fascismo é uma minhoca/ que penetra na maçã/ ou vem com botas cardadas ou com pezinhos de lã” (Sérgio Godinho)

    O reputado filósofo holandês Rob Riemen,  em “O Eterno Retorno do Fascismo” diz o mesmo por outras palavras: “Os fascistas do século XXI não se assumirão como fascistas”.  40 anos depois de Abril, o que vemos: salário mínimo inferior ao de 1974, 120 mil crianças com fome, 2 milhões de pobres, desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e da Segurança Social. O governo faz tábua rasa da Constituição da República e a Presidente da Assembleia da República é insultuosa com os militares de Abril. O problema não é deles, é nosso.  Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril. Formalmente ainda vivemos em democracia, mas…

    Cuidado,  Casimiro/ cuidado com as imitações/ cuidado, minha gente/ cuidado justamente com as imitações” (Sérgio Godinho).

    Carlos Vieira e Castro

     

  • Nem os professores são um rebanho de ovelhas nem o Governo tem coração de leão


    Segundo sindicalistas, no distrito de Viseu, dois terços dos  professores contratados inscritos para prestarem prova de avaliação de conhecimentos não o puderam fazer devido à greve dos professores vigilantes que assim se recusaram a vigiar os exames com que o ministro Nuno Crato pretende humilhar toda a classe dos professores.

    Segundo a Fenprof, cerca de seis mil professores, quase metade dos inscritos a nível nacional, não fez a prova. Em 40 das 113 escolas a prova nem sequer se realizou. Foi o caso da Escola Infante D.Henrique do agrupamento de Escolas Viseu Sul, em Viseu, onde só um dos 200 professores convocados para vigiar não fez greve e do  Agrupamento de Escolas do Viso onde só dois professores furaram a greve”.

    O ministro Crato, ao pôr inspectores a pressionar e desautorizar directores de escolas  e permitir que a polícia entre em estabelecimentos de ensino, como aconteceu na Escola Alves Martins, em Viseu, a pedido do seu director, abre uma escalada de guerra contra os  professores que só pode servir como cortina de fumo para esconder a escandalosa transferência de financiamento da escola pública para os colégios e escolas privadas. Até comentadores de direita como João Miguel Tavares, no jornal Público, reconhecem que “esta prova é moralmente injusta – porque atinge apenas os mais fracos – e politicamente idiota – porque humilha os professores sem necessidade”.

    Acossado, o ministro Crato dispara para todos os lados, e vem agora pôr em causa a formação dos Politécnicos e das Escolas Superiores de Educação, desprezando o relatório PISA que mostra a evolução positiva do ensino em Portugal e a queda a pique do ensino na Suécia, seu modelo da privatização da escola pública.

    Se Crato tivesse um pingo de vergonha e dignidade já se teria demitido. Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, exigiu a Passos Coelho a anulação da prova, também reivindicada pela Fenprof,  e a demissão do ministro Crato.

    PASSOS E PORTAS, OS DRONES DA TROIKA, CONTINUARÃO A INFERNIZAR-NOS A VIDA COM AUSTERIDADE TELECOMANDADA

    Passos e Portas rejubilam com a avaliação positiva da Troika. Mas, como disse Catarina Martins, “a Troika avaliou sempre positivamente aquilo que empobreceu mais o país”. Mal Paulo Portas acabava de proclamar em conferência de imprensa que a Troika estava de partida, logo veio o presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, questionado pelo eurodeputado do CDS Diogo Feio sobre o fim do resgate ao nosso país, afirmar que Portugal irá ter um programa cautelar, ou seja, como também já disse a presidente do FMI, Lagarde, teremos de continuar a aguentar a violência da austeridade, apesar de reconhecer que a austeridade aplicada pela Troika a Portugal foi excessiva e teve efeitos perversos.

    Mas o PSD e o CDS precisam de criar uma narrativa de sucesso ainda que mitificada, e o deputado e vereador do CDS  Hélder Amaral, escreveu esta semana, no Diário de Viseu,  um artigo em que depois de embandeirar em arco os supostos indicadores positivos, acaba com este axioma fabuloso (literalmente, de fábula), para justificar a “liderança firme” do governo colaboracionista do PSD e do CDS na aplicação da austeridade ditada sem o mínimo de humanidade e sensibilidade social pela Troika, fazendo até jus de ir além da Troika: “É melhor ter um exército de ovelhas chefiada por um leão, do que um exército de leões comandado por uma ovelha”.

  • Incêndios no Caramulo: um crime com vários culpados e um bode expiatório

    Dedicámos o Golpe de Vista de 2.05.2013 à criação da associação CEIS Caramulo (Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo) a partir de um premiado projecto da Escola EB 2,3 do Caramulo, numa abordagem  da  Serra como Recurso Didáctico, envolvendo a sua História, Cultura e Património, recursos naturais, desenvolvimento local e sustentabilidade. A 13 de Julho deste ano, alguns elementos do núcleo de Viseu da Olho Vivo participaram numa caminhada na Serra do Caramulo, organizada pelo CEIS e pela Junta de Freguesia do Guardão, guiada pela geóloga Margarida Morgado, professora na Escola Secundária de Viriato.

    Este contacto mais intimo com a Serra do Caramulo, com as suas curiosas formações rochosas esculpidas no granito, a sua flora e o seu  património cultural  (como os caleiros que dão o nome ao percurso, aquedutos que levavam a água do alto da serra para povoações como Jueus, provável refúgio antigo de judeus) provocam-nos uma indignação ainda maior  perante os incêndios sucessivos que destruíram  floresta e ceifaram a vida de jovens bombeiros, ferindo gravemente  muitos mais.

    A captura de alguns incendiários tem levado a opinião pública a concentrar neles toda a responsabilidade por estes fogos.  Estes criminosos hediondos devem ser severamente castigados, mas não podemos deixar branquear os restantes responsáveis por esta guerra que todos os anos provoca prejuízos e angústias nas populações rurais, mortes e feridos nos bombeiros e a destruição do património florestal e paisagístico.

    Joaquim Santos Silva, professor de Defesa da Floresta Contra Incêndios, na Escola Superior Agrária da Universidade de Coimbra, disse na Antena 1 que o primeiro culpado pela morte dos bombeiros que perderam a vida no Caramulo é a cultura maioritária do eucalipto que coloca o nosso país no 5º ligar do ranking mundial de área ardida, logo a seguir a 4 países africanos.   O distrito de Viseu é o primeiro em área ardida e o terceiro em número de fogos florestais.

    Também a CNA (Confederação Nacional de Agricultura) acusa o governo pelo corte de milhões de euros na prevenção, que associado à  “falta de ordenamento florestal e ao êxodo das populações são as causas da extensão dos incêndios” . “A paranóia do fogo posto” serve unicamente para “esconder o essencial que são as políticas incendiárias promovidas ao longo dos anos”, como as manchas contínuas de eucalipto e pinheiro” e o abandono da agricultura familiar” .

    Pois é, lembram-se de Mira Amaral, ministro de Cavaco Silva, ter chamado ao eucalipto “o nosso petróleo verde”? Ora aí está: o país de Norte a Sul coberto de petróleo, a arder sem parar. As empresas de pasta de papel enriquecem, mas o governo que corta nos nossos salários e reformas  já gastou este ano quase 100 milhões de euros com os incêndios florestais, perto de 80 milhões no combate e apenas 20 milhões na prevenção.

    E que faz a senhora Cristas, ministra da Agricultura? Ao fim de um ano de promessas às empresas de celulose, lá conseguiu que o seu partido, o CDS, e o PSD aprovassem no Conselho de Ministros do passado 19 de Julho,  o Decreto-Lei nº 96/2013 que facilita ainda mais a plantação de eucaliptos. Uma ministra incendiária!

    É pena que os submarinos de Paulo Portas não possam ajudar nos incêndios. Mas dizem que o preço de um submarino dava para comprar 10 aviões “Canadair”de combate a incêndios. Mais barato, a médio prazo, seria investir sobretudo na prevenção para poupar depois no combate. Mas isso acabaria com alguns negócios…Estará aí uma das causas?

     

  • Mandatario de honra de Almeida Henriques distribui cheques à porta das igrejas

    O escândalo rebentou  denunciado por José Junqueiro e Hélder Amaral:  Fernando Ruas andou a distribuir cheques à porta das igrejas do Viso e de S. João de Lourosa, tendo discursado até durante a missa. O Jornal de Negócios da passada terça-feira foi ouvir testemunhas e concluiu que houve exagero nos relatos. Ruas, afinal, não falou dentro da Igreja do Viso, mas sim  no Adro, durante 20 minutos, agradecendo ao povo devoto “o apoio nos últimos 24 anos”, prometendo regressar daqui a quatro. O discurso atrasou a missa, obrigando o padre a encurtar a homilia, diz o jornal, mas, na verdade, a culpa só pode ter sido do povo, já que, no Domingo anterior, o padre em funções tinha pedido aos paroquianos para irem “15 a 20 minutos mais cedo” para assistirem à assinatura do protocolo. Pelos vistos, a maioria não foi, se não como é que a missa se atrasava?

    Fernando Ruas, ouvido pelo jornal, confirmou ter entregue um cheque de 50 mil euros. Mas o padre terá até confessado a sua frustração por ter recebido apenas um total de 100 mil euros, quando tinham prometido ao seu antecessor uma ajuda camarária de 250 mil euros para as obras de construção da nova Igreja.

    Menos ingrato parece ter sido o padre de São  João de Lourosa que chamou um figo ao cheque de sete mil euros que recebeu das mãos de Ruas, antes da missa, no adro da igreja. Ruas disse ao jornal Público que até foi o padre a escolher o local. E acrescentou que sempre fez aquilo e  que continuará a entregar mais subsídios “graças à gestão financeira equilibrada” que fez durante todos estes anos à frente da autarquia”.

    É pois muito justa a nota negativa que o jornal Público deu a Fernando Ruas pela “campanha descarada” nos adros das igrejas, exigindo-se mais decoro e melhores exemplos ao presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Na Madeira é normal os comícios à porta das igrejas, mas em Viseu já bastaram 24 anos de Alberto João das Beiras.

    O que nem os jornalistas, nem o PS, nem o CDS questionam é porque razão há-de a autarquia pagar  250 mil euros, ou 100 mil euros que sejam, para ajudar a construir uma igreja. Não me importo que o dinheiro dos meus impostos e taxas municipais (incluindo a taxa máxima do IMI que ajudou Ruas a “equilibrar as finanças” do município) vá para instituições de solidariedade social ou para associações ligadas a qualquer igreja que cumpram uma função social relevante, que não seja a simples caridadezinha (caridade com o dinheiro dos outros não parece lá muito católico, ou será?), mas ajudar a construir uma igreja é outra coisa. O Vaticano não precisa das esmolas de um Estado laico sustentado por uma população com três milhões de pobres. O  Vaticano (IOR) segundo a pesquisa de uma rede de organizações sociais francesas, baseada em dados de autoridades alemãs e suíças,  ocupa o 8º lugar na lista dos Estados que mais lavam dinheiro sujo, proveniente de lucros ilícitos, tráfico de armas, exploração da prostituição ou droga.  O escândalo mais recente do Banco do Vaticano (IOR) que gere o imenso património da Santa Sé, foi a prisão do monsenhor Nunzio Scarano, ex-chefe de contabilidade do IOR , acusado de corrupção e fraude financeira pela polícia italiana.

    PS PRESTA HOMENAGEM A CÓNEGO LIGADO AO TERRORISMO DE EXTREMA DIREITA

    A promiscuidade entre os partidos do chamado “arco do poder” (expressão que se presta a trocadilhos brejeiros) e a Igreja católica volta à evidência com a provocação a todos os democratas e anti-fascistas que constitui a aprovação pela Câmara Municipal de Braga, apenas com os votos do PS (até a coligação PSD/CDS se absteve), da colocação de uma estátua ao cónego Melo, um assumido apoiante da rede terrorista (ELP e MDLP)  que no Verão quente de 75 incendiou e destruiu sedes de partidos de esquerda e organizou atentados bombistas que ceifaram a vida a alguns democratas e anti-fascistas, como o padre Maximino de Sousa (que aceitara ser candidato independente pela UDP) e a jovem Maria de Lurdes que colaborava com ele nas aulas de alfabetização de adultos e o acompanhava  no carro armadilhado com uma bomba.

    Mesquita Machado, presidente da Câmara de Braga, assumira o compromisso, na Assembleia Municipal, de nunca deixar erigir no espaço público uma estátua ao homem  que chamou de “traidor à Pátria” um histórico militante do PS por ter responsabilidades no processo da descolonização. Durante mais de uma década  a estátua repousou num armazém em Gaia. Agora, Machado e o seu vice, actual candidato do PS à Câmara de Braga, arriscam afrontar  os sentimentos democráticos dos bracarenses (que já se manifestaram na rua) só para conquistar votos da direita e da extrema direita.  ~

    O PS de Braga já conseguiu a simpatia do partido de extrema-direita PNR  que se prontificou a limpar a tinta azul que alguns bracarenses mais indignados atiraram contra a estátua. Cada um faz as suas escolhas.  Eu já há muitos anos que escolhi guiar-me pelo lema do Padre Max: “Servir o Povo e nunca se servir dele”

    Carlos Vieira e Castro

  • Sem imprensa livre não há democracia (local) e vice-versa

    Sem imprensa livre não há democracia (local) e vice-versa

    Esta crónica é feita em cima da hora, fruto de indignação acumulada.  Os leitores conhecem-me. Escrevo para este jornal desde a edição  nº 18, de 9.06.1994, ou seja, há 19 anos, ininterruptamente. Reconheço a pachorra dos leitores que resistem a textos com mais de 4.000 caracteres, mas prefiro correr o risco de ser menos lido mas mais compreendido. Quem rema contra a corrente tem de fazer um esforço maior para atingir o seu objectivo. Quando alguém, de direita,  me diz: “não concordo com tudo o que escreve, mas é difícil refutar a forma como argumenta e vejo-me forçado, muitas vezes a dar-lhe razão”, sinto que valeu apenas o esforço. Nunca escondi que era militante do Bloco de Esquerda e declaro desde já que vou ser de novo candidato à Assembleia Municipal de Viseu. Talvez não fosse preciso dizê-lo aqui se tivéssemos imprensa diária livre, uma vez que a minha candidatura já foi apresentada à comunicação social no dia 26 de Julho.

    Encontrei no Via Rápida um espaço de liberdade. Nunca sofri censuras nem pressões de qualquer tipo por parte do seu director. Entretanto, surgiram outros projectos mais suportados pelo poder local ou por partidos da oposição com ligações ao poder económico, e o Via Rápida,  não ajudado também pela sua periodicidade quinzenal, deixou de ser considerado um jornal de referência entre a “elite” intelectual de Viseu.

    Acabo de comprar o Jornal do Centro e, mais uma vez, a indignação estala-me dentro do peito. A primeira página surge toda ocupada com as fotos dos candidatos à União de Freguesias de Viseu, pelo PSD, PS e CDS. No interior, atribuem-se 4 estrelas a estes candidatos por se terem candidatado. Mais lá para o interior, surge uma pequena notícia sobre o candidato do Bloco de Esquerda à União de Freguesias de Viseu. Ora, uma eleição não é uma corrida de fórmula 1, com pool positions. Todos os candidatos deveriam ser iguais à partida e assim ser considerados pelos órgãos de imprensa. O Bloco de Esquerda é um partido com representação na Assembleia Municipal de Viseu , onde o CDS, por sinal, só tem mais um deputado. Mas, a discriminação do BE não é de agora. Temos desde há muito tempo vindo a reclamar junto do Diário de Viseu e do Jornal do Centro.

    Como disse, no passado dia 26 de Julho, uma sexta-feira, o BE apresentou à comunicação social os seus cabeças de lista á Assembleia Municipal de Viseu e à União de Freguesias de Viseu.  Passado quase meia hora da hora marcada só tinha aparecido um jornalista, da Rádio Vouzela; depois chegou atrasado um jornalista do Jornal do Centro. Para nossa surpresa no número seguinte deste semanário não surgiu qualquer notícia sobre esta apresentação de candidatos. Agora surge absolutamente abalroada pelo destaque dado às candidaturas dos três maiores partidos.

    O Diário de Viseu conseguiu mais uma vez ignorar completamente o BE. Nem enviou nenhum jornalista ao lançamento da candidatura, nem a divulgou baseado na nota de imprensa que lhe enviámos. Nada que se estranhe num jornal que avisa os seus jornalistas que ali não entra nem PCP nem Bloco de Esquerda.

    No entanto, Luis Mouga Lopes não é um candidato qualquer.  É um cidadão interventivo. Já escrevia antes de mim para o Via Rápida. Para compensar o blackout da restante imprensa, passo a transcrever o seu currículo:

    Luís Mouga Lopes nasceu em 1969, na Freguesia de Santa Maria de Viseu.

    É filho de António Carlos Lopes Ferreira e de Fernanda Maria Mouga Lopes.

    É casado. Tem uma filha.

    É Licenciado em Gestão pelo Instituto Superior de Gestão, possui o grau de

    Business Bachelor Administration da European University Portugal e frequentou

    o Mestrado de Finanças Empresariais do Instituto Piaget de Viseu.

    Iniciou a sua actividade profissional em 1993 no Sector Automóvel, onde

    trabalhou na área Comercial e Administrativa até 2005; altura em que iniciou a

    actividade de Gestor (inscrito na Ordem dos Economistas, na Ordem dos

    Técnicos Oficiais de Contas e na Associação Profissional de Formadores);

    profissão que mantem até à data. Paralelamente, entre 1998 e 2003, exerceu a

    actividade de docência na Escola Profissional Mariana Seixas (Viseu e Castro

    Daire).

    É membro da ONG AidGlobal e da Associação Cívica Transparência e

    Integridade (TIAC).

    Como Dirigente Associativo, fez parte dos órgãos sociais do Cine Clube de

    Viseu, entre outros. À data, é Presidente da Assembleia-geral do Clube

    Automóvel de Viseu, Membro da Direcção Nacional da ATTAC Portugal –

    Movimento Internacional para o controlo democrático dos mercados financeiros e suas instituições, e Dirigente Distrital (Tesoureiro)  do Bloco de Esquerda.

    Na edição de 20.10.2004 do  jornal O Zurara (jornal que confrontou o caciquismo do PSD na Câmara Municipal de Mangualde), o seu director Paulo Neto (actual director do Jornal do Centro) escrevia indignado: “(…) ou a imprensa regional se torna o paradigma da anuente subserviência “lambuzante do Poder, ou se escassa no panegírico e contumaz na verdade, cedo se vê antagonizada pelo caciquismo regente & vigente.” Pois é, caro Paulo Neto, também eu não encontro melhor maneira de acabar este desabafo do que deitar mão ao poema de Torga que ilustrava o seu editorial:

    AR LIVRE

    Ar livre, que não respiro!/ ou são pela asfixia?/ Miséria de cobardia/ que não arromba a janela/ Da sala onde a fantasia/ Estiola e fica amarela!

    Ar livre, digo-vos eu!

    (…)” Ar livre, sem restrições!/ Ou há pulmões,/ Ou não há!/ Fechem as outras riquezas,/ Mas tenham fartas as mesas/ Do ar que a vida nos dá!”

    Miguel Torga, Cântico do Homem,  1950

     

    Carlos Vieira e Castr0

  • Polis XII: São só elogios

    Polis XII: São só elogios

     SÃO SÓ ELOGIOS…

    Esta rubrica “Polis” que atinge hoje o seu 12º número, vai chegar, para já, ao fim.

    Pretendi dar um contributo positivo, alertando os nossos responsáveis autárquicos para aquilo que me parecia menos certo na cidade de Viseu. É evidente que as opiniões que despendi valem o que valem e reflectem apenas e só, a minha opinião pessoal, embora tenha sentido reacções que de algum modo apoiaram o meu sentir.

    Mas nesta autarquia, como em qualquer outra, gerida por responsáveis vindos ou eleitos pelos mais variados quadrantes políticos, fizeram-se muitas e boas benfeitorias para os concelhos e para as populações.

    Há contudo no espírito de muita gente, a ideia e a tendência de fazer comparações entre aquilo que eram as aldeias, as vilas e as cidades de algumas dezenas de anos, com o que são hoje.

    Nada se pode comparar nesta matéria, pois os meios financeiros existentes nestas duas épocas, nada têm de comparável. Hoje as autarquias, tem uma força financeira que lhes confere um enorme capacidade para poderem desenvolver as regiões que tutelam.

    O que podemos e devemos analisar, é se o dinheiro gasto, é de facto uma mais valia para as populações o que na verdade nem sempre aconteceu em Viseu ou noutros concelhos. Mas errar é humano, e só não erra quem nada faz ou nada arrisca. Pior porém,é querer manter o erro “não dando o braço a torcer”.

    Fernando Ruas foi o paradigma do autarca teimoso que nunca quis ouvir críticas ou conselhos, e que”levou a sua, sempre avante”.

    É-me difícil fazer um balanço sobre aquilo, que à primeira vista, e na minha opinião, mais enriqueceu o Concelho, até porque grande parte do que se fez, nem sequer é do meu conhecimento.

    Correndo, porém, o risco de citar algumas obras e ignorar outras bem mais importantes, referirei as seguintes:

    – Embora se não veja, porque estão enterradas, as maiores obras do Concelho centram-se nas redes de abastecimento de água ao domicílio (ainda nos lembramos que só podíamos tomar banho de madrugada) e os esgotos que felizmente chegaram a quase todo o Concelho.

    – A Avenida da Europa, que embora profusamente falada pelos executivos anteriores, foi levada a efeito por Fernando Ruas. Se esta avenida foi uma mais valia para a cidade, a Avenida da Bélgica foi sacrificada e quase desapareceu, porquanto os seus acessos foram pensados por quem não sabe pensar.

    – As rotundas, afinal a marca que mais caracteriza o ministério de F. Ruas, parecem exageradas e fazem-nos por vezes, perder a paciência, mas o certo, é que escoam melhor o trânsito e fazem diminuir substancialmente o número de acidentes.

    – O Parque da Radial de Santiago é outra obra digna dereferência que alinda a cidade, e serve muita gente que dele disfruta.

    – O Parque do Fontelo conheceu obras importantes, umas melhores que outras, mas no cômputo geral, a intervenção que lá foi feita tem nota positiva. Pena foi que não se tivesse conseguido construir um novo parque gimnodesportivo .

    – A Ciclovia ou Eco-Pista, ficará igualmente como uma obra a recordar

    – A Estação de Tratamento de Água é também um marco.

    – O Programa Polis, tem uma faceta positiva (Rio Pavia) e outras duas negativas (O Funicular e o Multiusos)

    – A Cava de Viriato foi uma oportunidade perdida, embora esteja bastante melhor do que aquilo em que se encontrava.

    – O Centro Histórico, onde se gastou “um rio” de dinheiro, não satisfez totalmente os viseenses. Foi pena!

    – As acessibilidades à cidade embora bastante melhoradas, ficaram coxas, devido a não se ter conseguido uma alternativa ao IP3 e uma nova ligação ao Satão. É verdade que isso é da competência do poder central, mas com mais empenho e força política dos nossos responsáveis, isso seria viável. Agora é tarde…

    Muitas outras situações poderia aqui apresentar em favor do município, mas não há espaço para mais, porém, não posso deixar de citar a qualidade da recolha de lixo (com excepção da recolha dos chamados monstros), dos jardins e rotundas bem tratadas, e da cidade limpa que temos.

    Mais elogios para quê?

     

    José Reis